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Transtornos Alimentares

Anorexia na infância e adolescência: sinais e tratamento

Anorexia na infância e adolescência: sinais e tratamento

A anorexia pode afetar crianças e adolescentes e comprometer crescimento, puberdade e saúde emocional. Entenda os sinais, as dificuldades do tratamento e por que não existe uma medicação específica.

Autoria médica:

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Adolescente conversando com a mãe à mesa em um ambiente acolhedor e iluminado.

Quando uma criança ou um adolescente começa a comer menos, evitar refeições ou se preocupar demais com o corpo, pode ser difícil saber o que está acontecendo. Algumas mudanças alimentares são passageiras. Outras podem indicar um transtorno alimentar que precisa de atenção.

A anorexia nervosa é uma condição séria. Ela envolve restrição da alimentação, medo de ganhar peso ou comportamentos persistentes que impedem o ganho de peso esperado, além de alterações na maneira como a pessoa percebe o próprio corpo e a gravidade do quadro.

Na infância e na adolescência, o impacto pode ser especialmente importante porque o corpo ainda está se desenvolvendo. Mesmo sem uma perda de peso evidente, a falta de energia e nutrientes pode prejudicar crescimento, puberdade, formação óssea, concentração, humor e funcionamento do coração.

Reconhecer os sinais cedo e procurar uma avaliação ajuda a proteger esse desenvolvimento. A família não precisa esperar que o jovem admita o problema ou peça ajuda por conta própria.

“Na infância e na adolescência, o alerta nem sempre é uma grande perda de peso. Às vezes, o primeiro sinal é deixar de crescer ou de ganhar o peso esperado para aquela fase.”

Dra. Jully Cavalcante, médica da Saúde Mental.

O que é anorexia nervosa?

A anorexia nervosa é um transtorno alimentar. A criança ou o adolescente passa a restringir a quantidade ou a variedade de alimentos e pode apresentar medo intenso de engordar, grande preocupação com peso e forma corporal ou comportamentos voltados a impedir o ganho de peso.

Esses comportamentos podem incluir pular refeições, eliminar grupos de alimentos, esconder comida, criar regras rígidas para comer ou praticar exercícios de forma compulsiva.

Nem todo jovem consegue explicar o que sente. Crianças menores, em especial, podem não dizer claramente que têm medo de engordar. Por isso, a avaliação considera a alimentação, o comportamento, a trajetória de crescimento, a saúde física e as mudanças emocionais — não apenas o que aparece na balança.

Também é possível haver um quadro grave sem aparência de magreza extrema. Uma perda rápida de peso ou uma queda importante na curva de crescimento pode causar complicações mesmo quando o peso ainda está dentro de uma faixa considerada comum.

O termo “anorexia infantil” pode causar confusão

Na medicina, a palavra “anorexia” também pode ser usada para descrever falta ou perda de apetite. Uma criança pode perder o apetite durante uma infecção, por causa de outra doença ou como efeito de um medicamento. Isso não significa, necessariamente, que ela tenha anorexia nervosa.

Além disso, algumas crianças apresentam seletividade alimentar, sensibilidade a texturas, pouco interesse por comida ou medo de engasgar e vomitar. Esses quadros também precisam de atenção quando afetam a nutrição e o crescimento, mas não são automaticamente anorexia nervosa.

Neste artigo, “anorexia na infância” se refere à anorexia nervosa iniciada durante a infância. A diferenciação depende de avaliação profissional.

Quais são os sinais de anorexia em crianças e adolescentes?

Os sinais podem surgir aos poucos e ser confundidos com dieta, alimentação saudável, mudanças da puberdade ou seletividade. Um comportamento isolado não confirma o diagnóstico, mas a combinação de mudanças persistentes merece atenção.

Mudanças na alimentação

  • reduzir progressivamente as porções;

  • pular refeições ou dizer com frequência que já comeu;

  • excluir alimentos ou grupos inteiros sem orientação médica;

  • contar calorias ou conferir rótulos de forma rígida;

  • cortar os alimentos em pedaços muito pequenos;

  • comer muito devagar ou prolongar as refeições;

  • evitar comer com a família, na escola ou com amigos;

  • esconder, guardar ou descartar comida;

  • demonstrar culpa, medo ou irritação depois de comer;

  • cozinhar para outras pessoas, mas evitar a própria refeição;

  • desenvolver regras rígidas sobre horário, preparo ou combinação dos alimentos.

Mudanças na relação com o corpo e com o exercício

  • medo intenso de ganhar peso;

  • comentários frequentes de que está “gordo”, mesmo após emagrecer;

  • comparação constante com outros corpos;

  • checagem repetida no espelho ou na balança;

  • uso de roupas largas para esconder o corpo;

  • exercícios em excesso ou dificuldade de descansar;

  • insistência em se exercitar mesmo com cansaço, doença ou lesão;

  • sofrimento intenso diante de mudanças corporais da puberdade.

Mudanças emocionais e sociais

  • irritabilidade ou ansiedade, sobretudo perto das refeições;

  • isolamento da família e dos amigos;

  • perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas;

  • queda no rendimento escolar;

  • dificuldade de concentração;

  • rigidez, perfeccionismo ou necessidade intensa de controle;

  • tristeza, autolesão ou falas de desesperança.

Sinais físicos e de crescimento

  • perda de peso;

  • interrupção do ganho de peso esperado;

  • queda na curva de crescimento;

  • atraso de crescimento ou puberdade;

  • fraqueza, cansaço, tonturas ou desmaios;

  • sensação frequente de frio;

  • constipação ou dor abdominal;

  • queda de cabelo e pele ressecada;

  • alterações menstruais;

  • redução da frequência cardíaca ou da pressão arterial;

  • dificuldade de dormir;

  • lesões relacionadas a exercício excessivo.

Esses sinais também podem ocorrer em outras condições. A avaliação médica é importante para investigar o transtorno alimentar e excluir doenças que provoquem perda de peso, redução do apetite ou sintomas digestivos.

Por que observar a curva de crescimento?

Crianças e adolescentes deveriam ganhar peso e altura ao longo do desenvolvimento. Por isso, manter o mesmo peso durante muito tempo nem sempre significa estabilidade saudável.

Uma criança pode não parecer emagrecida, mas cair progressivamente na curva que vinha acompanhando. Em outros casos, o crescimento em altura desacelera ou as mudanças da puberdade não avançam como esperado.

A avaliação não deve depender de uma tabela isolada ou de comparações com colegas. O mais útil é observar a trajetória individual ao longo do tempo, considerando idade, fase da puberdade e histórico de crescimento.

Anorexia, seletividade alimentar e TARE são a mesma coisa?

Não.

A seletividade alimentar é relativamente comum na infância. Muitas crianças rejeitam alguns sabores ou texturas e, com o desenvolvimento, ampliam o repertório. Ela merece avaliação quando fica cada vez mais intensa, compromete crescimento e nutrição ou interfere muito na rotina familiar e social.

O transtorno alimentar restritivo evitativo, conhecido pela sigla TARE, pode causar redução importante da quantidade ou variedade de alimentos, perda de peso, deficiência nutricional e prejuízo no crescimento.

No TARE, porém, a restrição não é motivada por preocupação com peso ou forma corporal. Ela pode estar relacionada a:

  • sensibilidade intensa a textura, cheiro, sabor ou aparência;

  • medo de engasgar, vomitar ou sentir dor;

  • pouco interesse por comida ou baixa percepção de fome.

Na anorexia nervosa, costumam existir medo de ganhar peso, preocupação com o corpo ou comportamentos persistentes para impedir o ganho de peso. A distinção nem sempre é simples, especialmente em crianças pequenas, e deve ser feita por uma equipe preparada.

Por que a anorexia pode ser difícil de tratar nessa idade?

O tratamento pode ser desafiador por vários motivos. Isso não significa que a recuperação seja impossível.

O jovem pode não perceber a gravidade

A anorexia pode diminuir a percepção de que existe um problema. A criança ou o adolescente pode acreditar que a família está exagerando ou interpretar a preocupação como tentativa de controle. Isso não é apenas “teimosia”.

Comer e ganhar peso podem provocar medo intenso

Para a família e a equipe, recuperar a alimentação representa segurança. Para o jovem, a mesma mudança pode parecer ameaçadora. Refeições podem gerar ansiedade, irritação, choro ou tentativas de negociação.

A desnutrição afeta o próprio pensamento

A falta de energia e nutrientes pode aumentar rigidez, ansiedade, obsessões, irritabilidade, apatia e dificuldade de concentração. Assim, uma consequência física da doença também pode dificultar a participação no tratamento.

O transtorno pode se esconder atrás de hábitos valorizados

Dietas, exercícios e preocupação com “alimentação limpa” às vezes recebem elogios. Isso pode atrasar o reconhecimento de que o comportamento se tornou rígido, sofrido e prejudicial.

A família precisa participar sem transformar tudo em confronto

Pais e responsáveis costumam assumir temporariamente um papel maior na organização das refeições. É uma tarefa exigente, que pode provocar culpa, medo e conflitos. Orientação profissional ajuda a separar o jovem do transtorno e a estabelecer limites com acolhimento.

O cuidado depende de diferentes profissionais

O tratamento pode exigir acompanhamento médico, psicológico e nutricional coordenado. Nem todas as regiões contam com serviços especializados em transtornos alimentares pediátricos, o que pode dificultar acesso e continuidade.

“A criança ou o adolescente não escolhe sentir medo da comida ou do ganho de peso. O tratamento precisa acolher esse sofrimento e, ao mesmo tempo, manter a firmeza necessária para proteger sua saúde.”

Dra. Jully Cavalcante, médica da Saúde Mental.

Por que não existe uma medicação específica?

Atualmente, não existe uma medicação que trate, sozinha, os sintomas centrais da anorexia nervosa. As principais diretrizes não recomendam medicamentos como tratamento isolado, e o National Institute of Mental Health informa que não há medicamentos aprovados pela agência reguladora dos Estados Unidos especificamente para anorexia nervosa.

Isso acontece, em parte, porque a anorexia reúne fatores físicos, psicológicos, comportamentais e sociais. Um comprimido não consegue, por si só, restaurar a nutrição, reduzir o medo de ganhar peso, flexibilizar regras alimentares e reconstruir a relação com o corpo.

Em crianças e adolescentes, há ainda menos estudos sobre alguns medicamentos. A desnutrição também pode alterar o funcionamento do coração, os eletrólitos e a maneira como o organismo responde a uma substância, aumentando a necessidade de cautela.

Medicamentos podem ser usados em situações específicas, por exemplo para tratar ansiedade, depressão ou outros sintomas associados. Essa decisão é individual, considera o estado nutricional e os possíveis riscos e não substitui alimentação assistida, psicoterapia, acompanhamento médico e participação familiar.

A ausência de uma medicação específica torna o cuidado mais trabalhoso, mas não significa que não exista tratamento.

Como é feito o tratamento?

O plano é definido de acordo com idade, fase de desenvolvimento, estado clínico, trajetória de crescimento, sintomas emocionais, tempo de doença e apoio disponível.

Avaliação e acompanhamento médico

O médico avalia sinais vitais, crescimento, hidratação, alimentação, desenvolvimento puberal e possíveis complicações. Dependendo do quadro, podem ser solicitados exames de sangue, eletrocardiograma e outras avaliações.

É importante investigar também ansiedade, depressão, sintomas obsessivos, autolesão e risco de suicídio. Essas condições podem coexistir com o transtorno alimentar e precisam de cuidado próprio.

Recuperação nutricional

Regularizar a alimentação e recuperar uma trajetória saudável de peso e crescimento são partes centrais do tratamento. O objetivo não é alcançar um número genérico, mas permitir que o desenvolvimento volte a avançar e que o organismo funcione com segurança.

Quando existe desnutrição importante, a realimentação deve ser monitorada porque mudanças rápidas no equilíbrio do organismo podem provocar a síndrome de realimentação, uma complicação potencialmente grave.

Psicoterapia focada no transtorno alimentar

A psicoterapia ajuda a trabalhar medo, rigidez, comportamentos alimentares, imagem corporal, emoções e situações que mantêm o transtorno.

Para crianças e adolescentes, as principais diretrizes recomendam intervenções que envolvem a família. Se uma abordagem não for adequada ou não estiver funcionando, outras psicoterapias próprias para a faixa etária podem ser consideradas.

Participação da família

No início, pais e responsáveis podem precisar assumir mais responsabilidade pelas refeições e pela interrupção de exercícios ou comportamentos de risco. Com a melhora, a autonomia é devolvida gradualmente ao jovem.

Incluir a família não significa culpá-la pela doença. A família é convocada como parte do tratamento e precisa receber explicações, orientação e apoio para lidar com situações difíceis.

Coordenação com a escola

A escola pode ajudar a observar mudanças, apoiar refeições e reduzir temporariamente atividades físicas ou demandas acadêmicas quando necessário. As informações compartilhadas devem respeitar a privacidade do jovem e ser limitadas ao que é útil para sua segurança.

“Não haver um remédio específico não deixa a família sem recursos. A recuperação é construída com nutrição segura, acompanhamento da saúde, psicoterapia e adultos orientados para sustentar o cuidado.”

Dra. Jully Cavalcante, médica da Saúde Mental.

O tratamento familiar significa que os pais causaram a anorexia?

Não. A anorexia nervosa não tem uma causa única e não deve ser explicada como resultado de uma falha da família.

O envolvimento dos responsáveis é especialmente importante porque crianças e adolescentes ainda dependem dos adultos para alimentação, rotina, acesso à saúde e tomada de decisões. Quando o transtorno reduz a percepção de risco, a família ajuda a manter o tratamento até que o jovem consiga retomar sua autonomia com segurança.

O cuidado também deve considerar as necessidades da família. Refeições supervisionadas, consultas frequentes e situações de crise podem ser desgastantes. Pais, irmãos e outros cuidadores podem precisar de orientação e suporte emocional.

Quando pode ser necessária internação?

Muitos jovens podem ser tratados fora do hospital quando estão clinicamente estáveis e contam com acompanhamento adequado.

A internação pode ser necessária diante de instabilidade física, desidratação, alterações importantes nos exames, incapacidade de manter alimentação suficiente, perda de peso rápida, risco de suicídio ou necessidade de supervisão mais intensiva.

A decisão não deve se basear apenas em um número de peso ou índice de massa corporal. Frequência cardíaca, pressão arterial, temperatura, exames, velocidade da perda de peso, comportamento alimentar e segurança emocional também são considerados.

Quais sinais exigem atendimento urgente?

Procure um serviço de urgência ou acione o SAMU pelo 192 diante de sinais como:

  • desmaio;

  • dor no peito ou falta de ar;

  • confusão ou sonolência incomum;

  • fraqueza intensa ou dificuldade para ficar em pé;

  • desidratação importante;

  • vômitos persistentes ou presença de sangue;

  • incapacidade de manter líquidos ou alimentos;

  • comportamento de autoagressão;

  • pensamentos de suicídio ou risco imediato.

Na presença de risco de suicídio, não deixe o jovem sozinho. Procure uma UPA, pronto-socorro ou hospital, acione o SAMU 192 ou ligue para o Centro de Valorização da Vida pelo 188, disponível gratuitamente 24 horas por dia.

Como conversar com uma criança ou um adolescente?

Escolha um momento reservado e fale sobre mudanças concretas, sem discutir beleza, fazer comentários sobre o corpo ou tentar convencer o jovem de que está magro.

Em vez de dizer “é só comer” ou “você está fazendo isso para chamar atenção”, experimente:

  • “Percebi que as refeições têm sido difíceis para você.”

  • “Notei que você está mais cansado e deixou de fazer coisas de que gostava.”

  • “Estou preocupado com sua saúde e quero entender como você está.”

  • “Você não precisa resolver isso sozinho. Vamos procurar ajuda juntos.”

O jovem pode negar o problema, ficar irritado ou pedir segredo. Escutar com calma é importante, mas os responsáveis não precisam esperar sua concordância para marcar uma avaliação quando há risco à saúde.

Evite elogiar emagrecimento, comparar corpos, ameaçar ou negociar o cuidado com recompensas. O objetivo da conversa não é obter uma confissão, e sim abrir um caminho para a proteção.

É possível se recuperar?

Sim. Crianças e adolescentes podem se recuperar da anorexia e retomar crescimento, desenvolvimento, vida escolar, relações e uma alimentação mais livre.

O percurso varia. Algumas famílias percebem melhora em menos tempo; outras enfrentam recaídas e precisam de acompanhamento prolongado. Isso não significa que o tratamento fracassou.

Reconhecimento precoce, recuperação nutricional, continuidade do cuidado, participação familiar e uma equipe preparada podem favorecer o prognóstico. Mesmo quando os sintomas já duram algum tempo, procurar ajuda continua valendo a pena.

Perguntas frequentes sobre anorexia na infância e adolescência

Uma criança pode ter anorexia nervosa?

Sim. Crianças podem desenvolver anorexia nervosa. Nessa idade, deixar de crescer ou de ganhar o peso esperado pode ser mais visível do que um emagrecimento intenso.

Falta de apetite é anorexia nervosa?

Não necessariamente. Perda de apetite pode ocorrer em diversas doenças e situações. A anorexia nervosa envolve restrição alimentar e alterações relacionadas ao peso, ao corpo ou a comportamentos que impedem o ganho de peso.

Toda criança seletiva tem um transtorno alimentar?

Não. A seletividade pode fazer parte do desenvolvimento. Ela merece avaliação quando se intensifica, reduz muito a quantidade ou variedade de alimentos, prejudica crescimento e nutrição ou interfere na vida familiar e social.

Anorexia e TARE são a mesma coisa?

Não. No TARE, a restrição pode estar ligada a sensibilidade sensorial, medo de engasgar ou vomitar ou pouco interesse por comida, sem preocupação com peso ou forma corporal como motivação central.

É possível ter anorexia sem estar abaixo do peso?

Sim. Uma criança ou um adolescente pode apresentar restrição importante e complicações mesmo sem parecer extremamente magro. A trajetória de crescimento, a velocidade da perda de peso e os demais sintomas também precisam ser avaliados.

Existe remédio para anorexia infantil?

Não existe uma medicação específica que trate sozinha os sintomas centrais da anorexia nervosa. Medicamentos podem ser utilizados em situações selecionadas ou para condições associadas, sempre dentro de um plano mais amplo.

Antidepressivo resolve a anorexia?

Não. Um antidepressivo pode ser considerado quando depressão ou ansiedade coexistem, mas não substitui recuperação nutricional, psicoterapia, acompanhamento médico e participação familiar.

O tratamento sempre exige internação?

Não. Muitos jovens são tratados de forma ambulatorial. A internação é considerada quando há instabilidade médica, risco psiquiátrico, incapacidade de manter alimentação e hidratação ou necessidade de cuidado mais intensivo.

A família causa anorexia?

Não. O transtorno resulta de múltiplos fatores. A participação da família no tratamento não é uma acusação: ela é um recurso importante para a recuperação.

O atendimento pode ser feito apenas por teleconsulta?

Algumas etapas podem ocorrer por teleconsulta, dependendo do caso. Como a anorexia pode causar alterações físicas importantes, avaliações presenciais, exames e acompanhamento pediátrico local podem ser necessários. Urgências exigem atendimento presencial.

Quando procurar uma avaliação?

Procure orientação quando houver restrição persistente, medo de ganhar peso, perda ou interrupção do ganho esperado, queda na curva de crescimento, exercícios rígidos, sofrimento nas refeições ou isolamento.

Não é necessário esperar que todos os sinais apareçam. Também não é preciso aguardar que a criança ou o adolescente reconheça sozinho a necessidade de ajuda.

A Dra. Jully Cavalcante realiza atendimento médico online em saúde mental, com escuta cuidadosa e avaliação individualizada. Em quadros com suspeita de transtorno alimentar, o cuidado pode exigir acompanhamento presencial e articulação com pediatra, nutricionista, psicólogo e serviços locais.

Conheça a trajetória da Dra. Jully Cavalcante ou saiba como funciona a teleconsulta da Serena.

Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui avaliação médica individual. Em uma urgência, procure atendimento presencial ou acione o SAMU 192.

Referências

[1] National Institute for Health and Care Excellence — NICE. Eating disorders: recognition and treatment (NG69). Recomendações para identificação e tratamento, incluindo crianças e adolescentes.

[2] American Academy of Pediatrics. Hornberger LL, Lane MA. Identification and Management of Eating Disorders in Children and Adolescents. Pediatrics. 2021;147(1):e2020040279.

[3] American Psychiatric Association — APA. The American Psychiatric Association Practice Guideline for the Treatment of Patients With Eating Disorders. American Journal of Psychiatry. 2023. DOI: 10.1176/appi.ajp.23180001.

[4] National Institute of Mental Health — NIMH. Eating Disorders: What You Need to Know.

[5] Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira — Fiocruz. Transtornos alimentares na adolescência. Portal de Boas Práticas, 2025.

[6] Sociedade Brasileira de Pediatria. Diagnóstico precoce melhora qualidade de vida de adolescentes com transtornos alimentares. 2021.

[8] Ministério da Saúde. Suicídio (Prevenção).

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Dra. Jully Anne Cavalcante Pereira

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